A curiosidade matou o gato

Há uma razão para o ditado "curiosidade matou o gato" ter se popularizado. Nem todas as culturas e locais de trabalho abraçam a curiosidade como um caminho para inovar. Alguns vêem isso como questionar o que é ortodoxo ou criar problemas.

Mas fazer perguntas para descobrir novos problemas e guiar o pensamento é um passo crítico para conseguir inovar. Então como podemos fazer ponte entre essas duas perspectivas? 


Essa questão tem sido top of mind ultimamente para Jane Fulton Suri, Diretora de Design Executivo e parceira da IDEO Emeritus.

Para abrir as portas para uma curiosidade mais "frutífera" e corajosa, evitando deixar as pessoas na defensiva, temos que criar espaço ativamente para que isso funcione no trabalho. Comece com as três dicas de Jane para incentivar sua equipe a ser mais curiosa:



Mude o ambiente

Uma simples mudança de espaço pode fazer muito para soltar inibições e liberar as pessoas de seus costumes e normas associados ao ambiente de trabalho. Tente um local externo, como um espaço de coworking ou café, ou então marque um encontro em um espaço não convencional como um estúdio de yoga, um parque ou museu.

Experiências análogas são outra maneira de estimular a curiosidade através da mudança de ambiente. Em um projeto com uma empresa de bicicletas, Jane disse que a curiosidade da equipe sobre a experiência de compra de seus próprios consumidores foi permitida através de uma visita a uma loja de beleza, uma experiência do usuário a qual nenhum deles estava acostumado. 

Se não conseguir aplicar nada disso, escolha uma sala de reunião diferente da usual ou mude as cadeiras e mesas de lugar para criar uma sensação diferente. Experienciar novidades juntos pode ajudar a equipe a se engajar. "É nivelar o campo de batalha entre as pessoas," disse Jane. "Eles estão todos no mesmo nível de desconforto."



Mude sua perspectiva

Olhar para o mesmo desafio de um novo ponto de vista também pode ajudar sua equipe a ficar curiosa. Como por exemplo um projeto no qual Jane trabalhou para uma empresa de varejo para criar uma experiência de compra para crianças. Eles entregaram fitas métricas para adultos e disseram para eles olharem a loja do mesmo nível do olhar de uma criança. Aquela simples mudança levou a novos insights porque "mudar perspectiva abre uma série de novas perguntas."

Em um nível ainda menor, uma mudança de perspectiva pode parecer questionar um hábito enraizado ou uma ação inconsciente. Como se secar depois do banho, pare para pensar por que você fez isso de uma certa maneira. Ou no trabalho, poderia ser por que você usa certo horário para uma reunião recorrente e o que aconteceria se você mudasse isso. Jane escreve sobre os insights enterrados nessas ações do dia-a-dia em seu livro "Thoughtless Acts? Observations on Intuitive Design."



Construa confiança e segurança psicológica

Para pessoas que se sentem desconfortáveis em fazer perguntas no trabalho, elas devem sentir que sua equipe entende suas motivações (para aprender e melhorar, não duvidar de diminuir) e compartilhar dessas mesmas metas. Como um líder, modelar sua própria vulnerabilidade percorre um longo caminho até construir uma camada base de confiança que correr riscos ou estar errado será suportado e não punido.

Jane sugere que compartilhar histórias de tempos em que você fez algo de errado ou passou por um mal entendido. O ponto é estabelecer que "nós estamos no espaço de não saber, ou errar, ou talvez ser um pouco bobo ou arriscado."


Tente mudar o mindset do seu time de trabalho, onde estamos frequentemente condicionados a evitar falhas, para um de jogo, onde correr riscos, ser imaginativo e adivinhar são os nomes do jogo.

"Todo mundo lembra a experiência de jogar," diz Jane. Sinal de que esse é um momento de diversão para sua equipe usando acessórios ou fazendo uma atividade mão na massa, uma experiência atípica na maioria dos ambientes de trabalho.




Adaptado de IDEO

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