Design para Resiliência


A humanidade está mais em movimento do que nunca. Mais de 68 milhões de pessoas no planeta foram retiradas à força de suas casas - muitas das quais estão enfrentando décadas de deslocamento ou mudança permanente a uma comunidade ha milhas de casa.

Nessa versão do nosso mundo - com aumento da necessidade e mais conflitos prolongados - nós precisamos pensar diferente sobre cuidados humanitários. Além de fornecer alívio temporário a refugiados e requerentes de asilo por todo o mundo, nós precisamos investir em cultivar comunidades resilientes nas quais as pessoas possam reconstruir suas vidas.

Mas, como nós podemos fazer design para resiliência? Começa com entender o que é resiliência. Definida como a capacidade de se adaptar e prosperar em certas condições, seria difícil escolher uma frase que capture melhor as maiores aspirações do trabalho humanitário (ajudando as pessoas a progredirem) e maiores barreiras para seu sucesso (condições de constante evolução).

Projetar soluções resilientes para suprir as necessidades de 68 milhões de pessoas não é fácil, então por onde começamos? No Design for Humanity Summit que aconteceu no último mês, nós exploramos três áreas de foco críticas:

Cultivar comunidades-sede empáticas e inclusivas

Alguns anos atrás, conheci uma mulher em um campo de refugiados no Sul do Sudão, e ela disse algo que eu nunca esquecerei. Nossa entrevista havia acabado e estavamos conversando. Falando sobre a vida no campo, ela apontou para filas de casas temporárias atrás dela e disse, "Morar próximo a alguém não os faz vizinhos." Sua opinião era simples: proximidade física com outras pessoas (até alguém da mesma nacionalidade) não faz uma comunidade. Confiança, histórias compartilhadas, interesses em comum... essas eram as marcas de uma comunidade. Você não precisa olhar longe no ciclo de notícias de hoje para ver como a falta de comunidade cria um vácuo que pode perpetuar narrativas dolorosas sobre refugiados em comunidades que os abrigam.

Transformar estranhos em vizinhos requer que nós criemos serviços e experiências que encorajem pessoas a compartilhar suas histórias e construir coesão social. Comunidades resilientes - ligadas a relacionamentos e entendimento mútuo - são lares melhores para todos nós, não só para quem foi desalojado.

Equipar pessoas com as ferramentas necessárias para reconstruir uma vida

Ser desabrigado não é só sobre perder uma moradia. É sobre se afastar de tudo o que você conhece - sua comunidade, seu status, e na maioria dos casos, seu sustento. Nos assentamentos de refugiados pelo mundo (e centros de reassentamento nos Estados Unidos), conheci médicos, professores, fazendeiros e professores que foram forçados a deixar suas profissões para trás quando deixaram suas casas. Para começar a reconstruir a vida de alguém, o caminho para o emprego produtivo é crítico. E não é só sobre abrir uma conta no banco - estabelecer objetivos financeiros e ter renda significa construir um futuro.

No Arizona, trabalhamos com o IRC para ajudar refugiados a começar suas jornadas criando um programa de coaching financeiro. Nos campos de refugiados Zaatari e Azraq na Jordânia, onde emprego formal é escasso, nós trabalhamos com a UNICEF para desenvolver um currículo de empreendedorismo social que ensina jovens - muitos dos quais passaram toda a adolescência no campo - habilidades empresariais portáteis que eles possam usar na realidade atual e onde quer que estejam no futuro. Essas habilidades tangíveis e experiência formam uma base crítica na qual refugiados podem construir as vidas que querem para eles mesmos.


Evoluindo serviços humanitários para ser mais responsivo com as necessidades das pessoas

Há muito buzz no mundo dos cuidados humanitários sobre o potencial para tecnologia para fazer as operações do setor mais eficientes. No IDEO.org, somos ainda mais interessados em como a tecnologia pode ser elevada para fazer serviços mais inteligentes e empáticos. Como podemos capitalizar no alcance, ubiquidade relativa, e aumento das capacidades de tecnologia para criar serviços que são resilientes - responsivos às necessidades crescentes das pessoas em condições de mudança? Como nossos parceiros no American Refugee Committee já viram através da implementação do Kuja Kuja - a primeira plataforma do mundo para feedback de ambientes para refugiados - é possível melhorar a satisfação do consumidor em 20% em poucos meses, apenas pedindo feedback às pessoas e fazendo ajustes de acordo. E o valor dessa plataforma vai além de seus efeitos imediatos - porque agrega as perspectivas e pedidos das pessoas em tempo real, ela cria um sistema resiliente de apoio aos refugiados que tem a capacidade de mudar e evoluir com as necessidades das pessoas que a ARC serve.

Todos os dias, refugiados e requerentes de asilo ao redor do mundo enfrentam desafios angustiantes e longas jornadas para construir uma vida melhor para eles mesmos e suas famílias. Eles exemplificam a resiliência do espírito humano. Como designers e humanitários, como devemos criar serviços, experiências e comunidades dignos de suas histórias?

[Traduzido e adaptado de IDEO]


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