Sim, existe um Museu dos Fracassos de Inovação - e aqui está o que podemos aprender com ele:


Há seis horas de trem ao sul de Estocolmo, na cidade de Helsingborg, Suécia, existe uma pequena galeria com uma missão incomum. Ao invés de colocar trabalhos de arte ou design de sucesso para que sejam admirados, ela mostra desastres absolutos. É chamado Museum of Failure.

Lá está o Google Glass, obviamente, e o Twitter Peek; uma caneta Bic "para ela", perfume Harley Davidson, e o Apple Newton, um aparelho portátil dos dias em que o logo da Apple era das cores do arco-íris. Mas enquanto todo esse fracasso pode parecer depressivo, o museu também é um monumento à inovação - e todos os erros que vêm com ela.


Foto: Museum of Failure

Há um momento certo para colocar esses fracassos em um pedestal, de acordo com o diretor do museu, Samuel West. Ex-psicólogo clínico, ele também tem doutorado em inovação na Lund University da Suécia, e acredita que fracasso é o componente central para criar novas tecnologias. Mas ele está cansado da falta de conversa sobre o papel da falha na inovação. West diz que foi a muitas conferências onde o sucesso era o único tópico de conversa - produtos de sucesso, serviços de sucesso e pessoas de sucesso que fizeram isso acontecer.

"Eu fiquei cansado dessas histórias de sucesso," diz West. "Nós glorificamos tanto o sucesso, mas às custas de demonizar o fracasso. E é dos fracassos que aprendemos."

O Museum of Failure exibirá cerca de 70 falhas diferentes. São em maioria produtos, mas alguns são serviços - o caso de aluguel de DVD da Blockbuster está incluso. Uma falha notável? O jogo de tabuleiro Donald Trump. "É um jogo perverso. Nós tentamos jogar de mente aberta," ele disse. "Mas era impossível. Era tão estúpido."

West demorou mais de um ano vasculhando na internet, encontrando produtos e serviços. Nem tudo se qualifica como fracasso. "O Samsung Note 7 não está nesse museu porque foram só produção e controle de qualidade ruins," ele disse. "Não tinha nada a ver com inovação."


Foto: Sofie Lindberg

Então por que o fracasso é tão importante para a inovação? West diz que há dois elementos de psicologia organizacional em jogo. Primeiro, há segurança psicológica. Essa é a ideia de se sentir confortável o suficiente para cometer erros em grupo - como fazer uma pergunta idiota ou criticar quando todos os outros são da diretoria - é uma parte vital para criatividade, colaboração e, sim, inovação. Mas se ninguém disser nada, você tem desastres como as canetas Bic "para ela" ou o comercial da Kendall Jenner com a Pepsi. "Se você não está disposto a lidar com o desconfortável conteúdo emocional do fracasso, então é impossível aprender a partir dele," disse West.

Outro papel importante que o fracasso ocupa é em permitir brincadeiras no trabalho, o que estimula a criatividade organizacional. Estar confortável com as falhas significa não ter medo de correr riscos. "Quando brincamos, estamos protegidos temporariamente das consequências da vida real,"ele diz. "Em inovação, ao invés de levar as coisas adiante, você deve experimentar e explorar. Aquelas atividades não geram resultados positivos previsíveis."

Enquanto executivos da tecnologia não caminham para o sul da Suécia, West espera que pessoas comuns possam aprender algo com o museu, também: se gigantes da tecnologia podem falhar tão miseravelmente, então você também pode - e está tudo bem. Mas realmente não há desculpa para grandes companhias como, digamos, Google e Apple. "Eu quero que as organizações sejam melhores em aprender com as falhas, porque elas não prestam, a maioria delas," disse West.

No video abaixo, Samuel West apresenta alguns itens do museu:


[Traduzido e adaptado de Fast Company]


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