Esta aula ajuda a encontrar soluções para problemas de países em desenvolvimento


Uma frota de motos de ação imediata, equipada para transportar mulheres grávidas em trabalho de parto em uma comunidade remota no Paraguai, não parece uma típica startup de tecnologia que teria surgido de um curso da Stanford University.

Mas nos 15 anos em que está aberto, o curso Design for Extreme Affordability, oferecido pelas escolas de design, negócios e engenharia da universidade, tem guiado estudantes a criar produtos e inovações que solucionem desafios enfrentados nos países em desenvolvimento, e potencialmente trazê-los ao mercado.


Medicarro, o projeto da moto de trânsito, foi um dos 10 que os 40 estudantes do curso criaram este ano. As equipes também trabalharam juntas para inventar o Fire & Ice, um refrigerador à energia solar que os pequenos comerciantes de Uganda podem usar para manter as bebidas geladas e ganhar renda extra; Cleankit, um kit de treinamento e educação que assistentes cirúrgicos podem usar para garantir que ferramentas e equipamentos estejam sempre no padrão de higiene; e Los Tres Nanos, uma ferramenta médica de baixo custo que ajudará médicos de países em desenvolvimento a monitorar mais precisamente e corrigir fenda palatina e outros problemas ortodônticos. Uma inovação agora conhecida que surgiu do curso em 2012 foi Embrace, um inovador saco de dormir não-elétrico para recém-nascidos que, sem incubadoras, ficam sob risco de morte por hipotermia em hospitais. Em 2016, mais de 200.000 bebês foram beneficiados por essa inovação.

"O que viemos fazendo por 15 anos é tentar balancear trazendo parceiros com desafios do mundo real, dando aos estudantes uma experiência de mundo real, baseada em projeto, para tentar desenvolver produtos para solucionar esses desafios, e modelos de negócio que podem trazê-los ao mercado,"

disse o diretor do programa, Stuart Coulson. Design for Extreme Affordability cresceu durante os anos. Embora fosse uma matéria de um trimestre, focada em solucionar uma menor variedade de problemas, agora ocupa dois trimestres, de Janeiro a Junho, o que permite aos estudantes viajarem aos países para os quais estão criando soluções. Enquanto o programa crescia, foi possível expandir o número de organizações locais para trabalhar com estudantes nos projetos.


O curso permite que realmente seja criado impacto com os projetos porque não são só estudantes sentados em uma sala confrontando problemas remotos. Ao invés disso, as equipes são pareadas com organizações do mundo todo que já estejam trabalhando na área em questão. Medicarro, por exemplo, surgiu de uma parceria com a Fundación Paraguaya, uma organização que mede 50 indicadores de pobreza no país - de acesso a água potável a renda mínima abaixo do nível de pobreza nacional - e aplica estratégias específicas para resolver cada medida. Uma das categorias-chave indicadoras globais é saúde, então dois estudantes de Stanford da equipe que foram atribuídos para trabalhar em parceria com a Fundación Paraguaya, viajaram para o país em Março, e notaram que o problema não era apenas a falta de opções de cuidados com a saúde - para mulheres em trabalho de parto, era a falta de meios para alcançar essas opções a tempo.

"Nessas comunidades, chegar ao hospital é muito difícil," disse Coulson. A infraestrutura da estrada não é boa, e as opções existentes são caras (taxis) ou de difícil acesso quando em trabalho de parto (transporte público, que requer uma longa caminhada de casa). Então os estudantes encontraram outra - e mais acessível - opção: motocarros. Um híbrido entre um vagão e uma moto. Os veículos de trânsito são onipresentes no Paraguai, e os estudantes criaram uma opção onde a parte do vagão atrás do veículo seria larga o suficiente para carregar a paciente, um paramédico, uma maca e equipamentos médicos básicos.


Os estudantes tiveram que encontrar um sistema para enviar medicarros às mulheres em necessidade. "Eles estão trabalhando com um serviço voluntário de bombeiros na comunidade para descobrir como integrar o sistema de envio ao call center," disse Coulson, "assim como calcular o número certo de veículos para desenvolver, e um sistema para que os motoristas implementem o serviço e sejam pagos pelo o que fazem."Todos esses passos, segundo Coulson, serão trabalhados em conjunto com a Fundación Paraguaya durante um projeto piloto que será lançado no próximo verão.

Mas ao lançar o piloto, o time não ficará sem apoio. Uma das coisas que o pessoal do Design for Extreme Affordability aprendeu durante o curso, segundo Coulson, é que até se os estudantes e parceiros chegarem a uma solução viável para um problema, os projetos "caem de um penhasco" no fim do curso. Stanford desenvolveu dois programas de apoio adicionais para os quais estudantes e parceiros podem aplicar para receber desenvolvimento de negócios e assistência técnica pela universidade enquanto trabalham para desenvolver projetos em seus respectivos países.

Na área de resolução de problemas de países em desenvolvimento, há tantas soluções que surgem de labs e think tanks no próprio país, mas nenhuma alcança seus respectivos mercados, ou alcança para depois descobrir que não havia real demanda na região. As inovações do curso de Stanford, ainda que hiper específicas, focam em servir como modelos para como as soluções de países em desenvolvimento deveriam ser implantadas em parceria com locais, com um caminho claro da idéia a ser implementada.

[Traduzido e adaptado de Fast Company]


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