Diversidade aumenta a criatividade?


Não há incentivo melhor para promover a diversidade do que a premissa de que equipes e empresas diversas são mais criativas. Mas há alguma evidência para apoiar essa ideia? E se houver, os ganhos potenciais na criatividade produzida pela diversidade vêm às custas da harmonia interpessoal e da coesão da equipe?

Aqui estão sete achados da ciência:

Há uma diferença entre gerar e implementar ideias

Enquanto a composição de uma equipe diversa parece conferir vantagem quando se trata de gerar maior alcance de ideias originais e úteis, estudos experimentais sugerem que tais benefícios desaparecem uma vez que é dada ao time a tarefa de decidir quais ideias selecionar e implementar, presumivelmente porque diversidade dificulta o consenso.

Uma meta-análise de 108 estudos e mais de 10.000 equipes indicaram que ganhos de criatividade produzidos por times de alta diversidade são interrompidos pelo conflito social inerente e os déficits de tomada de decisão que times menos homogêneos criam. Faria sentido se as organizações aumentassem a diversidade das equipes que são focadas em exploração ou geração de ideias, e usassem equipes mais homogêneas para implementar essas ideias. Essa distinção se espelha nas competências psicológicas associadas ao processo criativo: pensamento divergente, abertura à experiência e mente vaga são necessários para produzir um número maior de ideias originais, mas a menos que eles sejam seguidos pelo pensamento convergente, expertise, e gestão efetiva de projeto, aquelas ideias nunca se tornarão inovações.

Para toda a conversa sobre a importância da criatividade, a peça crítica é realmente inovação. A maioria das organizações tem um excedente de ideias criativas que nunca são implementadas, e mais diversidade não vai resolver o problema.


Boa liderança ajuda

Os conflitos que surgem da diversidade podem ser mitigados se os times forem bem conduzidos. Isso não é surpreendente: liderança é um recurso fundamental para grupos e organizações. É o processo psicológico que permite que as pessoas deixem de lado suas agendas egoístas para cooperar com o bem comum de um time, articulando a tensão natural entre nosso desejo de estar à frente de outros e nossa necessidade de conviver. Tudo isso é particularmente importante quando os grupos são diversos, por isso será mais difícil que membros da equipe vejam coisas através das perspectivas de outros membros, empatizem com eles e suprimam seus próprios vieses conscientes e inconscientes.

Muita diversidade é problema

A maioria dos estudos supõe que a relação entre criatividade e diversidade seja linear, mas evidências recentes sugerem que um grau moderado de diversidade é mais benéfico do que uma dose maior. Esta descoberta é consistente com o paradigma das "coisas-boas-demais", que sugere que até as qualidades mais desejáveis têm um lado negro se levadas ao extremo. Em outras palavras, todas as coisas são boas em moderação (exceto moderação).

Diversidade em nível profundo é a chave

A maior parte das discussões sobre diversidade focam nas variáveis demográficas (ex: gênero, idade e etnia). No entanto, os aspectos mais interessantes e influentes da diversidade são psicológicos (ex: personalidade, valores e habilidades), também conhecidos como diversidade de nível profundo.

De fato, existem várias vantagens em focar nas variáveis de nível profundo como oposição a fatores demográficos. Primeiro, considerando que as variáveis demográficas perpetuam estereotipadas e as caracterizações prejudicadas, a diversidade profunda foca no indivíduo, permitindo muito mais entendimento granular da diversidade humana. Independente de focar no lado bom ou ruim de características de personalidade, motivos e valores, ou a própria criatividade, diferenças de grupo são triviais quando comparadas com diferenças entre indivíduos, até quando eles fazem parte do mesmo grupo.


Compartilhamento de conhecimento é a chave

Não importa quão diversa é sua força de trabalho, e independente do tipo de diversidade que examinamos, diversidade não eleva a criatividade a menos que haja uma cultura de compartilhar conhecimento. Estudos que mapearam as redes sociais de organizações descobriram níveis mais altos de criatividade em grupos que são mais interconectados, particularmente quando criativos e intraempreendedores são o nó central nessas redes.

Céticos são persuadíveis

Treinamento diverso é mais efetivo com pessoas céticas. Isso é encorajador, apesar de o desafio ser garantir que as pessoas que são céticas sobre diversidade, na verdade se inscrevam nesses programas de treinamento.

Outros fatores são muito mais salientes

Apesar da questão "se diversidade pode abrigar criatividade" ser interessante, é importante notar que há muitos outros impulsionadores de criatividade.

Como uma meta-análise seminal de 30 anos de pesquisa mostrou, apoio à inovação, visão, orientação de tarefa, e comunicação externa são os determinantes mais fortes da criatividade e inovação.

Da mesma forma, desenvolver expertise, atribuir tarefas significativas e interessantes às pessoas, e melhorar as habilidades de pensamento criativo produzirão ganhos mais altos em criatividade individual e em grupo do que o foco na diversidade. Deve também notar-se que a melhor maneira de promover criatividade e diversidade é selecionar funcionários nas bases da criatividade deles, como oposição à habilidade cognitiva ou credenciais educacionais, só isso aumentaria o nível típico de diversidade das organizações. Nesse sentido, criatividade pode levar à diversidade mais do que o contrário.

Em resumo, provavelmente há melhores razões para criar equipes e organizações diversas do que impulsionar criatividade. E se sua meta é aumentar a criatividade, há soluções mais simples e efetivas do que incentivá-la.

[Traduzido e adaptado de Harvard Business Review]

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