As pedras no caminho dos Design Thinkers


Na imensa maioria dos casos, a inovação não é neutra. Quase sempre, inovadores e cautelosos costumam a se envolver em sangrentas batalhas organizacionais que, se analisadas com um certo distanciamento no tempo e no espaço, só terá perdedores. Projetos de design thinking enquadram-se nessa categoria. Sua implantação, a menos que se parta da estaca zero, ou seja, em organizações que estão começando agora, sempre tenderá antagonizar “criativos” e “bitolados”. Os primeiros chamam os segundos de cegos, teimosos, ultrapassados e daí para cima. Os segundos chamam os primeiros de lunáticos, sonhadores, pretensiosos, para ficarmos no campo dos adjetivos publicáveis.


Encerrando o ano, vamos falar sobre as dicas de Roger Martin, cujas idéias centrais a respeito desse método foram rapidamente introduzidas em postagem anterior, para que o profissional dessa área possa colaborar para conectar esses dois mundos e zerar ou, ao menos, minimizar o número de vítimas. As cinco sugestões apresentadas pelo autor, segundo minha leitura, são: Limão em limonada Diferenças de visão não devem servir de pretexto para imobilizar projetos de design thinking. É fácil falar que tal pessoa é impermeável à mudança ou que o outro é louco de pedra, mas este tipo de desabafo não acelera a inovação, ao contrário, a atrasa ou inviabiliza. Martin recomenda que o antagonismo seja naturalmente incorporado no projeto como uma instigante tarefa a ser vencida. Penetre no universo alheio O design thinker tem que ultrapassar as barreiras típicas dos mundos específicos de analíticos e inovadores, procurando entender os porquês de cada um deles. Desarmar as minas encontradas pelo caminho é um trabalho que impõe entender, criar empatia com as posições de cada profissional envolvido. Quem não comunica se trumbica Sem conhecer o idioma de criativos e analíticos é praticamente impossível criar empatia com ambas as espécies. Segundo Martin, o melhor método para dominar esses idiomas repousa em ouvir, ouvir e ouvir. Fala diferente Muitas vezes, não basta somente aprender os idiomas dos usuários, há necessidade adicional de criar analogias, contar histórias, por exemplo. Eles facilitam tanto a visualização de situações algo nebulosas como a mensuração mais adequada dos riscos envolvidos por pessoas que sem este artifício tenderiam, a priori, a criar ou aprofundar preconceitos. Prova de vida O time dos analíticos, quer provas fundadas em eventos passados. Os time dos intuitivos acham que o novo sempre vai funcionar às mil maravilhas. Cabe ao design thinking a função de criar experimentos controlados que antecipem “em laboratório” um cenário futurista. A realização de oficinas e criação de protótipos colaboram para trazer o amanhã para o aqui e agora. Esses desafios podem não soar lá muito fáceis, mas são indispensáveis para tornar o design thinking uma atividade prazerosa para quem faz, e efetiva para quem encomenda.

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