Como fazer a inovação acontecer no seu Lab


Empresas como Google, Nike e Apple contam com times secretos de intraempreendedores para lançar as próximas tendências. Aqui vão alguns conselhos práticos de companhias que estão fazendo isso acontecer.

Laboratórios corporativos, incubadoras, intraempreendedorismo. Chame como quiser, mas esses ambientes produtos e serviços inovadores existem desde 1943, quando Lockheed (fabricante de produtos aeroespaciais) encarregou uma equipe de construir um protótipo de caça a jato em apenas 180 dias. Essa equipe foi chamada de "Skunkworks", nome utilizado para denominar a forma não-convencional de organizar pequenos “times” em torno de uma missão específica de grande pressão, velocidade, altamente sigilosa e principalmente inovadora.

Agora que companhias como Google e HP estão encorajando seus mais brilhantes funcionários a dar uma pausa nas tarefas comuns e buscar suas melhores ideias, incubadoras in-house estão se tornando obrigatórias para que as empresas continuem competitivas, atraiam e retenham inovadores talentosos.

A Nike e seu CEO, Mark Parker, aderiram com força ao intraempreendedorismo, criando até ambientes secretos, laboratórios de pesquisa e centros de treinamento para fornecer aos funcionários espaços discretos para continuar entregando novos produtos, como a Fuel Band.

Manter essas equipes e seus trabalhos relativamente secretos é ótimo para eliminar distrações enquanto aumentam o nível do produto antes do lançamento. De qualquer forma, esses intraempreendedores ainda têm que fazer com que as equipes trabalhem todos os dias. Como eles fazem isso? A Fast Company falou com vários executivos que vão fundo nas operações dos laboratórios in-house. Aqui estão algumas dicas de boas práticas:


1- Foco primeiro, iteração depois

"Pedir feedback dos consumidores é uma coisa boa, mas não é a única coisa que traz novas ideias", disse Scott Schemmel, vice presidente global de TI da PGi, empresa de web, video e audio conferências.

Lembra quando você tinha que falar com um operador antes de ser colocado em uma ligação por conferência? Pareceu um grande avanço quando tudo o que você tinha que fazer era colocar uma senha. Mas os consumidores nunca pediram por uma solução, assim como Schemmel diz: "nossos consumidores são (um dos) nossos melhores recursos criativos."

Além da companhia apoiar a colaboração síncrona, a equipe do lab interno da PGi se sobressaiu. O resultado: iMeet, uma ferramenta de encontro virtual baseada em nuvem que funciona com um clique para entrar.

Schemmel diz que a cultura da PGi sempre apoiou o intraempreendedorismo de cima à baixo. Apesar de não terem se inscrito na política do Google, - em que 20% do tempo dos funcionários pode ser voltado a projetos pessoais - o lab interno é separado o suficiente da atividade principal para ser ágil e leve, tendo que hiperescalar um produto comercial a todo vapor. Uma vez que o conceito está pronto, é lançado para feedback. "Nós somos os maiores usuários dos nossos produtos", disse Schemmel. "Depois recorremos aos consumidores para coletar feedback." E aí a iteração começa.


2- Separe, mas continue conectado

Tagged, a rede social para conhecer novas pessoas que tem mais de 330 milhões de membros, criou o Tagged Labs para encorajar o intraempreendedorismo. Sidewalk, um aplicativo que alerta usuários sobre acontecimentos em suas cidades (e amigos passando por lá também) é o primeiro projeto a vir de um time de 15 pessoas dedicadas a isso.

O cofundador e CEO da Tagged, Greg Tseng, diz que a razão pela qual eles criaram os Labs foi por oportunidades de endereço, especialmente em mobile, que foram além do core business de descoberta social.

Apesar de ser desafiador para outros profissionais ter um pequeno grupo de pessoas trabalhando na "nova coisa do momento", a Tagged que tem 8 anos e a recente Sidewalk estavam em estágios completamente diferentes de desenvolvimento e precisaram separar os focos.

No final, eles tiveram que encontrar um equilíbrio. "Dê tempo e espaço ao ambiente da equipe. As melhores ideias e iterações vêm de baixo para cima".


3- Aponte o caminho, dê vantagens

O provedor de software de gamification Bunchball implementou o Bunchball Labs em Setembro do último ano com a meta de quantificar como gamification direciona performances de negócios do mundo real. Apesar da maioria dos negócios contar com funcionários já existentes para preencher as equipes "Skunkworks", Joe Fisher, vice presidente de produtos, diz que ele contratou quatro pessoas para o Bunchball Labs "da selva".

"Eu não estava especificamente procurando por engenheiros", disse ele, apenas "caras que amassem explorar e performar arqueologia". O amor por matemática, estatísticas e organizar dados precisa coexistir com um lado criativo. Essas qualificações são importantes porque, enquanto a equipe não estava isolada em uma caverna no Novo Mexico, estava separada do time de engenheiros da Bunchball.

Segundo Fisher, os engenheiros precisam fazer lançamentos a cada dois meses. A equipe The Labs não tem restrições de pedidos regulares para escrever códigos, então eles podem focar na visão geral da companhia. "Eles não são responsáveis por lançar nada", diz Fisher, mas ao invés disso, combinam dados de bilhões de ações de usuários para encontrar tendências por semanas e meses. O time precisa estar realmente confortável trabalhando nessa escala, ele diz, com reuniões duas vezes por semana para reforçar a visão geral da empresa. Para lubrificar as rodas da criatividade, Fisher diz que as vantagens do Bunchball são fluxo livre, o que significa que você encontrará um dos principais cientistas tocando o Kegerator depois de horas ou outros tirando uma soneca no "nap room".

Até agora, ele diz que está funcionando. As análises mostrando o lançamento 5.0 do Nitro Studio são um resultado direto dos pontos de dados em que o lab trabalhou, e haverá mais este ano.

Texto traduzido e adaptado de Fast Company.

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